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Vítor Catulo

vitor catulo newEra uma notícia, publicada há precisamente uma semana neste jornal. Anunciava que Rui Barreiro é candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal de Santarém. Tudo bem que as autárquicas estão à porta, com data já marcada e as movimentações partidárias, até há pouco tempo veladas e longe da lupa da opinião pública, preparando listas e ajustando consensos, já se mostram e dão-se a conhecer as caras que vão digladiar argumentos até à decisão final marcada para o dia 1 de Outubro.

Para além de ser um observador, mais ou menos atento, um munícipe exemplar que até faz reciclagem do lixo que não deita papéis para o chão e de ser um eleitor praticante de longa data, tenho um outro grande defeito: gosto de exprimir a minha opinião. Daí que não resisti em comentar: "coveiro do PS em Santarém volta à carga? Humm...".

Não demorou muito para que o senhor engenheiro me pedisse, numa frase curta, para que explicasse tão afrontoso comentário exercendo um direito, diga-se com toda a verdade, que lhe assiste.

A ninguém deve ser negado o direito de lhe ser explicado algo que lhe provocou incómodo ou engulho. E o ónus cabe ao agente da provocação. "Daqui a uma semanita explico", respondi ao pedido, após rápida decisão que tomei (um outro desarranjo de que sofro) remetendo a explicação para a crónica de hoje.

Pouco há a explicar e basta recuar uns anos, ao ano de 2005, para nos lembrarmos como o Partido Socialista que, exceptuando o longínquo ano de 1985, manteve a hegemonia nas autárquicas do distrito de Santarém desde as primeiras eleições livres de 1976, perdeu terreno de forma estrondosa na capital a favor de um forasteiro, sobejamente conhecido, apoiado pelo partido rival de sempre do PS que não cito mas todos conhecem.

E quem era o presidente da câmara de Santarém em 2005 sucedendo a José Miguel Noras? Adivinhem. Rui Barreiro recebera uma herança pesada com uma câmara atolada em dívidas, de projetos adiados e com o seu partido dividido por guerrilhas e questiúnculas internas que o minaram por dentro qual Cavalo de Tróia introduzido numa fortaleza que se supunha ser inexpugnável.

Um cenário grotesco e desanimador para os militantes e simpatizantes socialistas magistralmente explorado por Francisco Moita Flores e pelo partido que o apoiou, levando-o a obter uma vitória inédita naquele ano e que reforçou quatro anos depois com uma esmagadora maioria.

Não é fácil ser-se coveiro de alguma coisa mesmo quando a responsabilidade não seja só nossa. E ninguém gosta de o ser. Rui Barreiro estava no olho do furacão, do desastre entenda-se. Teve inabilidade política ao não saber gerir os conflitos internos e não conseguiu evitar a morte que já se anunciava do bastião socialista que há trinta anos era a capital do distrito. Não teve a perspicácia que é necessária nos grandes momentos de crise para ler os sinais avisadores de tempestade. Ao invés de se deixar envolver em traquitanas políticas de gabinete deveria ter ido buscar apoio naqueles que haviam votado nele e no seu projeto: os eleitores anónimos, os simples que acreditam num socialismo verdadeiramente popular e virado para debelar as injustiças sociais e a má distribuição da riqueza de que são motores.

Há um novo paradigma na forma de se fazer política: estar próximo das pessoas, falar com elas, ouvi-las permanentemente e senti-las. Diga-se, grosso modo, que se deverá praticar uma espécie de ergonomia política.

O ex-secretário de Estado das Florestas regressa de novo ao combate autárquico. Que o faça experimentado e mais virado para todos os seus munícipes.

A tarefa que se segue, fazer ressuscitar, qual Fénix que se auto-imolou, o Partido Socialista na capital de Liberdade é ciclópica!

Tem pela frente um jovem, de quem se diz ser ambicioso e empreendedor, à frente dos destinos da Câmara e que, à partida, tem uma falange de apoio no eleitorado juvenil, uma fatia considerável. Que ausculte e, sobretudo, que escute e tire as ilações que entender.

Espero ter sido claro, suficientemente conciso e sinceramente genuíno, em responder a Rui Barreiro como da mesma forma lhe desejo a melhor das sortes na campanha até ao dia do escrutínio e que os seus apoiantes possam ver de novo pintado de cor de rosa a área dos 552,54 kms2 de Santarém.

 

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis