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Vítor Catulo

vitor catulo newHá uns que largam bombas aqui... mas há um hospital, uma escola, há doentes, crianças...! Não importa; as bombas são largadas. Não sei... Eu fiquei envergonhado com o nome de uma bomba: "a mãe de todas as bombas". Mas vejam, a mãe dá vida e esta dá morte. E chamamos mãe àquele aparelho?! Que está a acontecer? São palavras do Papa Francisco proferidas ontem, sábado, num encontro de jovens no Vaticano referindo-se ao lançamento, em 13 de Abril, da super-bomba no Afeganistão pelo regime de Trump que terá matado cerca de 100 militantes jihadistas... e não só, seguramente, que danos colaterais há sempre neste tipo de ações militares, mas cujos resultados são sempre anunciados de forma enviesada.

O Papa proferiu estas declarações a poucas semanas do encontro com o presidente da nação, militarmente mais poderosa, do mundo. E a uma semana de vir a Fátima, local do misterioso milagre. Será bem vindo e tudo está preparado para o receber que nós, portugueses, nestas coisas sabemos o que fazer.

Entretanto, hoje vai-se a votos em França.

País onde nasceram os conceitos da democracia moderna por que a Europa se rege, mas que também é um dos que mais contribui para o armamentismo mundial e mais responsabilidade tem na disseminação, por esconsos caminhos, de armas por grupos e facções do chamado "terceiro mundo". Provocam fome e miséria tais negócios e engordam as contas em paraísos fiscais dos senhores da guerra e caciques de gravata.

Em contraponto àquela França romântica, tântrica e vulcânica,da liberté, egalité, fraternité de outros tempos, pátria de Voltaire, Victor Hugo, Baudelaire, Zola e Sartre, entre muitos outros, que fizeram da defesa da Liberdade a sua bandeira, vemos hoje um país com um povo dividido, globalizado pelas novas tecnologias e feito de frases feitas.

Dando apenas um exemplo: os filhos dos nossos emigrantes, a quem a França recebeu e deu guarida, nos idos anos 60/70, parecem não se reconhecer naquela nação histórica que foi berço do melhor sistema democrático moderno que se conhece, apanágio do mundo livre, que existia no tempo dos seus pais. Outrossim, embarcam agora atrás de quimeras de um apregoado sistema melhor! Mas que sistema melhor desejam eles? "Já cá estamos, os outros que se lixem"?

Fico arrepiado quando vejo esses jovens a exaltar, expressando-se em português com sotaque gaulês, qualidades a uma senhora loura, de finos lábios frios e olhos metálicos, que tem, num dos pontos do seu programa eleitoral, fechar as portas à imigração. Quanta ingratidão e egoísmo!

O que pensarão e sentirão, muitos dos seus pais, que trabalharam de sol a sol, em terra estrangeira que os recebeu, e lhes permitiu proporcionar condições para lhes dar alimento e educação?

Não quero fazer vaticínios nem previsões, porque receio, tal como aconteceu nas eleições dos EUA, em Novembro, que a "maioria silenciosa", a tal massa dura que não dá a cara nem se manifesta, senão à boca das urnas, venha a vencer. Que os franceses votem e votem no que acharem melhor é o meu desejo. E que o resultado do escrutínio não transforme o mundo numa grande bomba é a minha esperança. Há sempre soluções para os conflitos, mas pela brutalidade não deverá passar nunca.

Maio é libertador e um mês grandioso!

Vou passar este primeiro domingo a refletir nas palavras de Francisco, a repensar 1968 em Paris e a espreitar os resultados.

E é dia também de prestar homenagem à mãe que deu vida aos meus filhos. 

 

Balonismo em Coruche - Fotos João Dinis