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Vítor Catulo

vitor catulo newNão, nunca mais quero a guerra. Abjuro a quem jurei e declaro guerra aos tiranos do século XXI, bestas imundas que não defendem outros que não os seus bastiões de fortunas e negócios ocultos com grupos empresariais que faturam milhões e tiram a quietude do povo.

Digo basta a declarações de ódio contra pessoas e grupos que não são iguais a nós. Digo não a frases feitas de efeito imediato.

Já não aturo ouvir certas luminárias que julgam tudo saber a debitar disparates cada vez que abrem a boca.

Não quero envolver-me em discussões estúpidas e estéreis ouvindo dizer "esta terra é minha, o preto cheira mal, o cigano é ladrão, os brancos são bons, os socialistas são chulos, a direita tem razão, a minha política é o trabalho, a esquerda é perigosa, a segurança do estado está acima de tudo, os refugiados que se lixem, os meus impostos não vão para esses gajos, voltem para terra deles". Não, já são discursos demasiadamente esfarrapados para os meus ouvidos!

Todas as guerras começam com cenários mais ou menos assim: eliminar a massa crítica, reduzir o espaço para o debate ideológico, usar frases curtas, lapidares, e sequestrar mentes dormentes enquanto se constroem pretextos para reforçar o poder! Amplia-se a dimensão de um qualquer incidente de insegurança, tomam-se nota de sinais sociais adversos vindos dos "outros", instila-se o medo e fazem-se decretos cortantes. Entretanto, reforçam-se as polícias, afastam-se os dirigentes incómodos, promovem-se alguns mentecaptos, os coronéis passam a generais e os soldados a sargentos. A máquina da guerra está em movimento sem se dar conta.

E dão-se melhores condições às tropas e às polícias, pois que é essencial, e com mais um pouco de poder e autoridade que também é necessário. A receita funciona sempre. E à frente deles, no supremo comando, coloca-se um tipo às direitas, dos chamados tesos, mas que obedeça aos chamamentos do grande líder e que não o questione nunca. Geralmente vai-se buscar ao depósito dos "heróis da pátria", um veterano de uma qualquer guerra com o peito cheio de estrelas e condecorações. É a cereja no topo do bolo marcial.

Em simultâneo há que entreter as massas. As televisões devem continuar a passar novelas e programas de animação vinte e quatro horas por dia, para todos os gostos e de todo o género. Aos rapazes e às raparigas disponibiliza-se todo o género de equipamentos e maquinetas mágicas para irem delirando com vídeos e jogos. Enquanto assim estão não falam nem levantam a "grimpa". Consomem a informação, sintetizada em chavões, interiorizam-na sem a processar, e disseminam-na à velocidade de um nanosegundo criando correntes sucessivas de massa acrítica. A História está morta e vive-se o momento.

Há nuvens negras no horizonte. Se nada se fizer para contrariar a tendência belicista que se respira, criando condições para um verdadeiro diálogo de civilizações e darmos um não "gordo e rotundo aos tiranos que disputam a posse do mundo que é de todos, teremos razões para um dia ficarmos com medo... muito medo! E quando isso acontecer já será tarde demais.

 

Operações de busca e resgate aquático - Fotos João Dinis