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Vítor Catulo

vitor catulo newO ano de 2016 foi estranhamente calmo. Salvo uma ou outra agitação social aqui e ali, com uma ou outra grevezinha pelo meio e algumas notas para esquecer de acontecimentos menos bons, 2016 até foi um ano razoavelmente aceitável com algumas boas notícias como há anos não tínhamos.

Vejamos: a geringonça, aquela miscelânea meio esquisita feita de peças díspares e extravagantes, a quem os arautos da desgraça e alguns ressabiados preconizavam curta vida, tem-se aguentado e feito boa figura com os animais, por exemplo, a deixarem de ser considerados objetos para serem objeto de uma proteção legal sustentada com penas que podem ir até à prisão.

E que dizer de um presidente da República que a todos surpreendeu? O homem está em todas e até vai a banhos no Atlântico, com um frio de rachar, respondendo em várias línguas aos curiosos enquanto se vai secando vigoroso, como um qualquer veraneante que foi à costa refrescar-se!

Haverá caso semelhante no mundo? Penso que não. Dois fenómenos políticos que aconteceram em Portugal e que estávamos longe de imaginar!

A taxa de desemprego baixou para 10,5% no terceiro trimestre, disse o INE e gastamos dinheiro à bruta durante as festividades do Natal como não o fazíamos há dez anos, disse a imprensa. Rejubilamos com a vitória, nunca antes conseguida, no Europeu de futebol e temos um compatriota à frente do cargo diplomático mais importante do mundo e até um senhor chamado Carlos Moedas, alentejano "direitinha" com costela comunista paterna, agora Comissário Europeu para a Inovação, Ciência e Tecnologia e que levou "pancada" que chegue nas redes sociais quando integrou o governo de Pedro Passos Coelho, disse em Novembro que, pela primeira vez, Portugal está no bom caminho no controlo do défice!

Imagine-se o estado em que não terá ficado o seu antigo chefe e, como se não bastasse, até o circunspeto Financial Times ajuda a festa e elogia o governo chefiado pelo seu rival António Costa.  

Por falta de outras desgraças entre as quais, não deixou de pontuar os sangrentos homicídios praticados por um louco de distorcidos sentimentos que se diz inocente, os partidos e comentadores da praça preencheram os espaços noticiosos durante meses escalpelizando até à exaustão o caso Caixa Geral de Depósitos ao qual os portugueses em geral já nem prestam atenção.

Com este cenário aqui traçado, algo delicodoce, do que foi o ano que finou, confesso que começo a ter alguma saudade de quando tínhamos Pedro Passos Coelho e os seus brilhantes rapazes a pôr-nos de tanga. Quase o conseguiram e sem algumas daquelas personagens simpáticas que nos governaram e de quem gostávamos tanto, como Miguel Relvas e Paulo Portas, e que frequentam agora outras paragens, até o Facebook perdeu a graça!

Mas que há-de acontecer uma nova crise e teremos de voltar à guerrilha, disso eu não tenho dúvidas.

Não sei é quando!

 

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis