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Carlos Segundo Nestal

nestalNa passada quarta-feira, como milhares de pais, acompanhei os meus petizes às apresentações do novo ano escolar.

As expectativas e a segurança eram elevadas. Não podia ser menos, após as galas e festas escolares antecipadas pelo município - o facto de estarmos a semanas de um ato eleitoral deve ser mera coincidência, ou talvez não - iniciava a manhã confiante que tudo estaria bem para iniciar o ano letivo. Se uma autarquia investe tanto em festas escolares e galas, de certeza que terá o funcionamento das escolas garantido na perfeição.

Mal colocamos os pés no passeio adjacente ao Centro Escolar do Sacapeito, iniciamos um verdadeiro percurso de obstáculos dos dejetos dos animais, principalmente de canídeos, que enfeitam o passeio em terra - após a Câmara Municipal de Santarém ter gasto milhões na construção do Centro Escolar, não devem ter sobrado umas migalhas para pavimentar meia dúzia de metros quadrados de passeio por onde diariamente circulam dezenas de crianças e pais. Assim continua desde 2015.

No fim da primeira reunião somos confrontados pela associação de pais que nos solicita a nossa assinatura numa petição dirigida à autarquia scalabitana, nomeadamente, à vereadora responsável pelo pelouro da educação, a solicitar a colocação de sombras no exterior do Centro Escolar, para que as crianças possam brincar sem que corram um sério risco de desidratação e cheiro nauseabundo de suor com tanta correria ao sol. Bastava olhar o desconsolo e desespero do representante de pais ao informar que a autarquia promete resolver essa situação desde 2015, mas que constantemente vem protelando. Deve ser uma empreitada bastante difícil e de custos elevados colocar alguns metros quadrados de sombra no exterior de uma escola. Mas talvez mais barato que o preço de uma gala antecipada.

Encontrando-me já na Escola E.B. 2.3 D. João II, somos, os cerca de 30 pais presentes na apresentação, confrontados com a informação por parte das responsáveis pela direção da escola que o número de auxiliares (pessoal não docente), se encontra no limite mínimo, que caso um desses auxiliares se encontre repentinamente doente e tenha de faltar ao trabalho, a escola terá de encerrar, deixando centenas de alunos sem aulas. Pior ainda, ficamos a saber que por mais de uma vez a mesma escola esteve no ano letivo anterior em risco eminente de encerrar por falta de número mínimo de pessoal não docente.

Sendo certo que a colocação de pessoal não docente nas escolas é da responsabilidade da Câmara Municipal de Santarém e que esta situação definha há algum tempo, é incompreensível que a autarquia não tenha previsto a colocação de mais auxiliares nas escolas. Se entende que o protocolo celebrado com o Ministério da Educação é prejudicial, então está mais que no tempo de solicitar a atualização desse mesmo protocolo, a bem dos nossos alunos e de toda a comunidade escolar que tentam fazer omeletes com tão poucos ovos.

Assim começa mais um ano escolar, agora que terminou a propaganda das galas e festas. A educação nos estabelecimentos educativos não se faz com foguetes e entrega de prémios milimetricamente antecipados, é sim feita com as infraestruturas e pessoal docente e não docente em número suficiente e com condições de trabalho.

Mais uma vez, a gestão camarária não se faz com e em festas.

 

Operações de busca e resgate aquático - Fotos João Dinis