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Sara Nunes

AA sara nunesPassaram-se 11 meses desde a minha chegada à Dinamarca. Onze meses desde que comecei os meus estudos e dez desde que iniciei a minha carreira laboral. Pode ser pouco para tirar conclusões, mas sem dúvida pode ser um apoio para muitos – que, como eu, querem trabalhar e estudar no estrangeiro, seja em que país for.

Sempre me tinha agradado a ideia de estudar no estrangeiro pois sempre adorei viajar, aprender outras línguas e conhecer outras culturas. Através de uma empresa educativa, descobri que era possível estudar gratuitamente em alguns países da Europa. Isto despertou o meu interesse para continuar os meus estudos num destes países.

Então depois de muita pesquisa, rendi-me completamente aos encantos da Dinamarca. Não só porque o ensino é gratuito, mas também porque é considerado o país mais feliz do mundo e porque é um país lindo, rodeado de mar e paisagens maravilhosas.

Prossegui à candidatura para algumas universidades aqui na Dinamarca. Recebi algumas ofertas e decidi estudar na Via University College pois o curso que eu queria, Engenharia Informática, tem cadeiras muito interessantes, e é lecionado completamente em inglês e inclui estágio.

Para me candidatar apenas precisei de completar um exame de inglês académico com nota alta, o diploma de ensino secundário, o CV e uma carta de motivação e de referência. Podem parecer muitas coisas, mas na verdade é mais fácil, porque o processo de candidatura é diferente do de Portugal – ao contrário de Portugal, não é só a média do secundário que conta, é feito todo um processo qualitativo e não quantitativo. Outra vantagem é não serem precisos exames nacionais. E é possível candidatar-se até aos 60 anos de idade!

A minha Universidade é muito moderna e tem um nível de ensino muito prático, excelentes salas de aula, áreas de convívio, bibliotecas e dormitórios para estudantes. Tem vários cursos em Inglês, pelo que há um ambiente muito multicultural. Para além disso, os dinamarqueses falam Inglês muito bem, pelo que a língua não foi um problema. Apesar disso, o governo oferece aulas grátis de dinamarquês e eu estou a aprender a língua pois acho importante para o futuro, se quiser continuar a viver na Dinamarca e para integrar-me ainda melhor.

O melhor disto tudo é que a universidade é totalmente gratuita, desde livros a software necessário para estudar. No entanto, mesmo não tendo despesas nenhumas relativamente à educação tenho que pagar alojamento e alimentação. E visto que o custo de vida é mais elevado que em Portugal decidi procurar trabalho.

Foi assim, procurei trabalhos online e encontrei uma família onde trabalhei como aupair. Comecei por ser aupair, o que me permitiu ter alojamento e alimentação gratuitos quando cheguei à Dinamarca. A família para a qual estive a trabalhar deu-me imenso apoio nos meus primeiros tempos na Dinamarca, o que facilitou bastante a minha adaptação a esta nova realidade, costumes e cultura.

Depois desta experiência, tive outros trabalhos, maioritariamente temporários, em armazéns, limpezas, restaurantes e como baby-sitter pois queria ganhar algum dinheiro extra. Todos eles já eram excelentes trabalhos como part-time, mas um dia a sorte bateu-me à porta. Isto aconteceu quando encontrei um anúncio na minha universidade que dizia: “Portuguese student required”. Isto, para mim, foi uma surpresa pois nunca pensei que pudesse fazer uso da minha língua materna para trabalhar na Dinamarca.

No inicio do ano, a Trendhim, empresa dinamarquesa de acessórios masculinos procurava onze estudantes de diferentes nacionalidades para formar um departamento de marketing internacional com o objetivo de equiparar-se às outras potencias europeias deste mundo tão competitivo como é a moda.

Graças a esta oportunidade hoje em dia sou manager do departamento português da empresa. É muita responsabilidade a que tenha nas minhas mãos visto ser responsável por um país inteiro, mas os meus colegas e os meus chefes sempre foram muito prestáveis, atenciosos e compreensivos comigo. Sempre se mostraram dispostos a ajudar-me e a fazer de mim uma melhor profissional.

Definitivamente, a minha empresa deu-me a oportunidade de iniciar a minha carreira laboral, numa área totalmente diferente da que tenho na universidade. Deu-me a oportunidade de aprender como funciona o mundo do marketing, e o mais importante, mostrou-me que o importante não é o número de títulos que tenhas, mas o que importante mesmo és tu e o teu potencial.  

Sem dúvida, que depois destes meses a trabalhar para esta empresa o que mais valorizo é a confiança que têm em nós, estudantes, e todos os dias demonstram-nos que os estereótipos sobre as relações chefe-empregado não são verdade. Um exemplo disto é termos bolo, cerveja, ping-pong e barbecue todas as sextas no escritório. Desde a nossa chegada à empresa, sempre se esforçaram para que nos sentíssemos em casa e que sentíssemos que estávamos contribuindo pouco a pouco para a história da empresa, uma história que já somos parte.

Como se isto não bastasse, o trabalho é muito flexível e tenho total liberdade na escolha das horas de trabalho desde que complete 44 horas por mês, o que não é quase nada. Os trabalhos aqui são muito bem remunerados, na ordem dos 15€ por hora. Para além do meu salário, recebo a bolsa do estado, chamada SU para estudantes trabalhadores, no valor de cerca de 740€.

Isto não acontece só na minha empresa, acontece em todas as empresas dinamarquesas. A mentalidade e a forma dos dinamarqueses encararem o trabalho, os serviços e os negócios é assim. Em full-time, eles trabalham uma média de 33 horas por semana, das 8 às 16, com um equilíbrio entre a vida e o trabalho. O trabalho fora dos horários estabelecidos não é considerado. Eles têm muito tempo livre e aproveitam-no ao máximo e esta é uma das razões para serem o país mais feliz do mundo. Eu penso que o estilo de vida deles é completamente inspirador e mudou muito a minha perspetiva de vida.

Viver no estrangeiro pode ser duro e sair da zona de conforto não é um mar de rosas. No entanto, a minha principal motivação nesta maravilhosa aventura foi pensar como esta experiência podia beneficiar-me no futuro. E sem dúvida provou ser a melhor decisão que fiz, pois provou ter sido uma excelente experiência e sei que vou conseguir ter sucesso no futuro, quer no capítulo académico, como no profissional e, para além disto, tornei-me uma pessoa bem mais matura e mais preparada para os desafios que vou enfrentar no futuro.

Por fim, mas não menos importante, é fantástico eu poder afirmar que, com apenas 20 anos, sou completamente independente financeiramente falando, algo que seria praticamente impensável acontecer, caso eu tivesse ficado em Portugal.

Tudo é questão de esforço, entusiasmo e autoconfiança. É verdade que não temos que ir para o estrangeiro para conseguirmos o que queremos, mas é preciso enfrentar-nos a nós mesmos para decidir o que queremos fazer.

 

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis