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Jerónimo Belo Jorge

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Pode ser um título com uma palavra que muitos consideram uma asneira mas está lá colocada propositadamente.

O Tejo, o rio Tejo, continua na mesma. Poluído. Continua na mesma e ninguém faz nada.

Ah, podem dizer-me que os deputados A, B e C têm feito umas perguntas ao ministro do Ambiente. Ah, podem dizer-me que os casos são denunciados. Ah, podem dizer-me que a culpa é da seca. Ah, podem dizer-me que são as empresas A ou B.

Se recuar três ou quatro anos, não é preciso mais, vou encontrar nos meus arquivos notícias que escrevi sobre a poluição no rio Tejo ou sobre as preocupações, na altura, sobre esses caudais curtos e negros.

“População preocupada com poluição no Tejo”, “Movimento de defesa do Tejo denuncia poluição”; “Pescadores temem poluição no Tejo”, “Pró-Tejo denuncia poluição no Tejo”, “Deputados levam poluição do Tejo ao Parlamento”, “Autarcas do Tejo querem rio sem Poluição”, “Populações ribeirinhas querem Tejo livre de Poluição”; “Peixe morto no Tejo preocupa população” são títulos de notícias que ecoaram estes anos nos meios regionais e nacionais, nos online e tradicionais, na imprensa, rádio e televisão.

Vem isto a propósito de mais uma fotografia que me fizeram chegar ontem, dia 11 de Novembro, ali de Abrantes, da mini-queda de água do açude insuflável. A fotografia não necessita de legenda. Vê-se perfeitamente que a água está impregnada. Aliás, o açude em Abrantes torna-se estrela quando o comboio da beira-baixa por ali passsa. Testemunhei isso mesmo. Após a estação de Tramagal o povo mais velho movimenta-se para as janelas para poder “apreciar” ao vivo a poluição do Tejo que no curso normal e sem agitação das águas pode ficar mais camaleónico à distância.

poluicao jeronimoOs cidadãos, os movimentos de defesa do Tejo, os deputados, os autarcas têm mostrado o rio doente. Têm tentado, cada um com os seus meios, chegar a quem de direito que possa activar um qualquer mecanismo que permita iniciar o tratamento. Sim, porque tudo indica, se não andamos a ser enganados, que já são conhecidas as causas da doença.

Não interessará andar a fazer uma caça às bruxas e encontrar o responsável e crucifixá-lo em público como tanto se gosta em Portugal. Por vezes gosta-se mais disso do que a resolução efectiva dos problemas. Mas há que começar é a encontrar uma solução rápida e eficiente para evitar que o Tejo continue a correr cheio de poluição.

Pode até ser da seca este estado. Pois, acredito, se o rio tivesse caudal elevado esta poluição diluía-se. Mas, se calhar, ainda bem que se mostra, para ser visível a todos e não apenas aqueles que se interessam mais pelo rio ou pelas questões ambientais.

Esta foto chegou-se através do Armindo Silveira, vereador do Bloco de Esquerda em Abrantes. Mas não é de agora que ele mostra o Tejo poluído.

O Arlindo Consolado Marques, de Ortiga, tem mostrado, em vários pontos da poluição do rio. Aquilo que todos condenam mas que teima em estar na mesma e, presume-se, cada vez pior. É que na semana passada chegaram notícias de peixe morto, aos milhares.

Os deputados fazem perguntas e requerimentos às entidades responsáveis.

As entidades dizem que levantaram autos, intensificaram análises e recolhas de amostra, mas a coisa tende a piorar em vez de melhorar.

Em causa, aqui não está o governo rosa ou laranja, estará até mais em causa as entidades estatais que deveriam garantir a qualidade das águas dos rios e a fiscalização dos infractores, independentemente de quem domina o poder político. É que é muito fácil atirar aos políticos como se fossem eles os únicos responsáveis das coisas quando algo corre mal. Então e os técnicos que deveriam suportar as decisões políticas?

Voltamos a chegar a um período de inverno que todos esperamos que traga muita chuva pois as terras, as barragens, as culturas precisam. Se assim for, essa água acabará por vir mascarar a poluição do Tejo, diluindo-a num caudal mais elevado. Podemos vir a ver menos imagens de denúncia. Mas até ao momento em que o sol voltar a aquecer e os caudais voltarem a baixar concentrando os índices de poluição. Tem sido sempre assim. Lá para Março/Abril voltaremos a ter mais imagens como esta, repito, se entretanto tivermos um inverno normal, com chuva.

O rio que nós, no Ribatejo, conhecemos, está a desaparecer e os responsáveis continuam a ter uma acção curta, diria mesmo limitada.

Não defendo o encerramento compulsivo e imediato das empresas que alegadamente podem estar a provocar estas situações. Mas caramba em quatro anos, o período em que fui aos meus registos, e com dois governos distintos, a coisa continua na mesma?

Essa é a pergunta. Deverá ser a pergunta.

Mas podem perguntar: Qual a Solução? Que fazer? Quando? Como? Isso só mesmo os responsáveis poderão dizer. Melhor, poderão mostrar, porque do dizer estaremos todos fartos.

Jerónimo Belo Jorge

Partida em Coruche do Grande Prémio de Ciclismo Abimota - Fotos: João Dinis