chamusca pinoquioavisan2017

Jerónimo Belo Jorge

jeronimo jorge

Pode ser um título com uma palavra que muitos consideram uma asneira mas está lá colocada propositadamente.

O Tejo, o rio Tejo, continua na mesma. Poluído. Continua na mesma e ninguém faz nada.

Ah, podem dizer-me que os deputados A, B e C têm feito umas perguntas ao ministro do Ambiente. Ah, podem dizer-me que os casos são denunciados. Ah, podem dizer-me que a culpa é da seca. Ah, podem dizer-me que são as empresas A ou B.

Se recuar três ou quatro anos, não é preciso mais, vou encontrar nos meus arquivos notícias que escrevi sobre a poluição no rio Tejo ou sobre as preocupações, na altura, sobre esses caudais curtos e negros.

“População preocupada com poluição no Tejo”, “Movimento de defesa do Tejo denuncia poluição”; “Pescadores temem poluição no Tejo”, “Pró-Tejo denuncia poluição no Tejo”, “Deputados levam poluição do Tejo ao Parlamento”, “Autarcas do Tejo querem rio sem Poluição”, “Populações ribeirinhas querem Tejo livre de Poluição”; “Peixe morto no Tejo preocupa população” são títulos de notícias que ecoaram estes anos nos meios regionais e nacionais, nos online e tradicionais, na imprensa, rádio e televisão.

Vem isto a propósito de mais uma fotografia que me fizeram chegar ontem, dia 11 de Novembro, ali de Abrantes, da mini-queda de água do açude insuflável. A fotografia não necessita de legenda. Vê-se perfeitamente que a água está impregnada. Aliás, o açude em Abrantes torna-se estrela quando o comboio da beira-baixa por ali passsa. Testemunhei isso mesmo. Após a estação de Tramagal o povo mais velho movimenta-se para as janelas para poder “apreciar” ao vivo a poluição do Tejo que no curso normal e sem agitação das águas pode ficar mais camaleónico à distância.

poluicao jeronimoOs cidadãos, os movimentos de defesa do Tejo, os deputados, os autarcas têm mostrado o rio doente. Têm tentado, cada um com os seus meios, chegar a quem de direito que possa activar um qualquer mecanismo que permita iniciar o tratamento. Sim, porque tudo indica, se não andamos a ser enganados, que já são conhecidas as causas da doença.

Não interessará andar a fazer uma caça às bruxas e encontrar o responsável e crucifixá-lo em público como tanto se gosta em Portugal. Por vezes gosta-se mais disso do que a resolução efectiva dos problemas. Mas há que começar é a encontrar uma solução rápida e eficiente para evitar que o Tejo continue a correr cheio de poluição.

Pode até ser da seca este estado. Pois, acredito, se o rio tivesse caudal elevado esta poluição diluía-se. Mas, se calhar, ainda bem que se mostra, para ser visível a todos e não apenas aqueles que se interessam mais pelo rio ou pelas questões ambientais.

Esta foto chegou-se através do Armindo Silveira, vereador do Bloco de Esquerda em Abrantes. Mas não é de agora que ele mostra o Tejo poluído.

O Arlindo Consolado Marques, de Ortiga, tem mostrado, em vários pontos da poluição do rio. Aquilo que todos condenam mas que teima em estar na mesma e, presume-se, cada vez pior. É que na semana passada chegaram notícias de peixe morto, aos milhares.

Os deputados fazem perguntas e requerimentos às entidades responsáveis.

As entidades dizem que levantaram autos, intensificaram análises e recolhas de amostra, mas a coisa tende a piorar em vez de melhorar.

Em causa, aqui não está o governo rosa ou laranja, estará até mais em causa as entidades estatais que deveriam garantir a qualidade das águas dos rios e a fiscalização dos infractores, independentemente de quem domina o poder político. É que é muito fácil atirar aos políticos como se fossem eles os únicos responsáveis das coisas quando algo corre mal. Então e os técnicos que deveriam suportar as decisões políticas?

Voltamos a chegar a um período de inverno que todos esperamos que traga muita chuva pois as terras, as barragens, as culturas precisam. Se assim for, essa água acabará por vir mascarar a poluição do Tejo, diluindo-a num caudal mais elevado. Podemos vir a ver menos imagens de denúncia. Mas até ao momento em que o sol voltar a aquecer e os caudais voltarem a baixar concentrando os índices de poluição. Tem sido sempre assim. Lá para Março/Abril voltaremos a ter mais imagens como esta, repito, se entretanto tivermos um inverno normal, com chuva.

O rio que nós, no Ribatejo, conhecemos, está a desaparecer e os responsáveis continuam a ter uma acção curta, diria mesmo limitada.

Não defendo o encerramento compulsivo e imediato das empresas que alegadamente podem estar a provocar estas situações. Mas caramba em quatro anos, o período em que fui aos meus registos, e com dois governos distintos, a coisa continua na mesma?

Essa é a pergunta. Deverá ser a pergunta.

Mas podem perguntar: Qual a Solução? Que fazer? Quando? Como? Isso só mesmo os responsáveis poderão dizer. Melhor, poderão mostrar, porque do dizer estaremos todos fartos.

Jerónimo Belo Jorge

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis