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Jerónimo Jorge

jeronimo jorge

Mostrar os cadastros fotográficos das turmas dos anos 70, 80 e 90 funcionou. E está a funcionar. É como uma bola de neve nas redes sociais.

Vem isto a propósito das atividades evocativas do Cinquentenário do Liceu Nacional de Abrantes. Perdão, da Escola Secundária N° 2 de Abrantes. Perdão novamente. Da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes.

Como ex-aluno não me foi possível ter participado na sessão de aniversário mas, mesmo à distância, fui acompanhado virtualmente. Quer através de notícias. Quer pelas publicações dos meios oficiais. Quer nas muitas partilhas nas redes sociais.

E logo após a sessão solene, o Facebook começou a ser inundado de fotografias das carinhas larocas de alunas e alunos geometricamente colados em folhas e ordenadas por números. Tudo sem nomes. Apenas o número do aluno.

As fotos de turmas do 7° ao 12° ano. Não de todas mas de muitas. Mesmo assim os organizadores da exposição, grupo de história ou professores de história, talvez tenham achado “piada” mas não esperariam, digo eu, a abertura de uma espécie de caixa de pandora.

As redes sociais funcionam muito com fotos e com recordações mas nunca saberemos ao certo qual o clic exato para despertar a carambola de partilhas. Para formar a tal bola de neve. Se assim tivesse sido teria sido criado um hashtag próprio para tentar centralizar as partilhas todas. Mas não. Foi mesmo um ‘movimento’ espontâneo. As partilhas começaram porque tinham de começar.

Não estão todas as turmas? Não.

A explicação é simples. A escola só está obrigada a guardar os cadastros pelo período de dez anos pelo que muitos seguiram o seu rumo normal. Mas, vá-se lá saber porquê, algumas dezenas ficaram lá, na escola, a um canto qualquer. E quando foram encontradas terá existido a feliz ideia de os mostrar. Acredito que os professores de história pensaram qualquer coisa como “isto é porreiro” ou “isto pode ter piada” ou talvez “olha pomos as pastas lá a ver se a malta se encontra“.

O ‘vintage’ está na moda. Mas aqui a moda não é ser vintage. É fazer-nos recuar numa máquina do tempo e entrarmos numa placa giratória de recordações. Momentos e pessoas que, nalguns casos e tal como os cadastros, estariam ali arrumados a um canto, poucas vezes mexidos. Ou apenas a vir à tona em meia dúzia de conversas sobre os tempos de estudante.

jeronimoVer a turma de 1989, as fotos da altura, faz-nos recuar no tempo.

Onde estou?

Quem são os colegas?

Ainda me lembro de todos?

Onde andarão alguns?

Um momento de felicidade com toda a certeza.

Estas linhas poderiam ser uma notícia. Poderiam ter explicações do diretor do agrupamento da escola Alcínio Hermínio. Poderiam ter declarações do presidente da comissão do Cinquentenário Mário Pissarra. Poderiam ter algumas justificações de quem preparou a exposição. Mas não. Fico-me pelo que vi, à distância. Algumas explicações lidas, e bem, nas páginas pessoais do José Martinho Gaspar e da Isabel Borda d’ Água. Curiosamente, ou não, professores de história e professores daquela escola.

Apenas isto. Um olhar de um ex-aluno sobre o que considero ser uma pequena ação mas que demonstra bem que uma coisita simples pode ser o ‘input’ de uma comemoração. Ou pelo menos de chegar a mais, muito mais ex-alunos, do que a própria ação solene dos 50 anos.

Eu próprio quero ir ver a exposição do cinquentenário (dias úteis até ás 21h do dia 10 de Novembro). Mas enquanto isso as redes sociais vão sendo a bola de neve e levam a malta a ir em busca dos maravilhosos anos do secundário. Na Escola Dr. Manuel Fernandes.

Enquanto isso o facebook para os lados de Abrantes disparou na partilha de fotografias e comentários. É a bola de neve da rede social a funcionar. E mais do que apenas recordação já permitiu reencontros e até agendamentos de encontros.

A culpa é das fotos dos miúdos. Lá de trás. As que não se perderam.

A culpa é… da Escola.

 

PS: A foto ilustrativa é do meu 12º ano. Eu estou lá. Faço parte. 1363.

Jerónimo Belo Jorge

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis