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Susana Veiga Branco

Susanaveigabranco01O advento pode ter várias formas e ser vivido (ou não).

O meu é vivido e começou como vos vou contar:

Os meninos da catequese da paróquia onde resido resolveram fazer uma missão muito especial, junto da população. Uma missão diferente, linda na sua simplicidade e significado.

Fizeram a diferença nas muitas famílias que visitaram, algumas até mesmo de outras nacionalidades e de outras religiões. Não deixaram sequer para trás residências de fim de semana; visitaram todos quantos lhes abriram as portas de suas casas.

E a quem justamente lhes abriu as portas, pediram para entrar e entraram. Levavam algo, tais Reis Magos, levavam um presente, um Menino Jesus que tinham feito em casa com os pais e familiares.

Diziam às pessoas que lhes traziam o Menino Jesus para casa, para cada casa.

Mas na realidade, não se tratou de oferecerem apenas aquele pequeno objeto (se bem que tão bonito), ofereceram ternura e carinho, a troco de absolutamente nada.

Não pediam dinheiro ou bens; apenas que ficassem com o Menino Jesus, que o deixassem entrar na vida de cada um.

Tinha bolo de especiarias e sumo de laranja em cima da mesa para eles; esperava-os e queria também oferecer-lhes um pouco da nossa casa, da nossa família, um mimo.

Agradeci-lhes e senti o meu dia mais iluminado pela presença daquelas caras simpáticas que ali estavam à minha frente.

Se foi assim para mim, nem consigo imaginar o que significou para quem está só, para aqueles que não podem sair de casa por estarem doentes ou por não terem quem os leve, para quem está ávido de atenção, de uma simples conversa, de calor humano, por vezes apenas de um bocadinho de afeto.

Assim, esta visita foi um abraço gigante e coletivo de amor. Impactante em termos de significado e de sentimentos, aqueceu o coração.

Nesta quadra, no advento, há mais então, há esperança e há também o sentir do presente, um presente onde afinal ainda existem valores, amizade, o dar sem necessidade do receber de volta nem do reconhecimento pela dádiva, há alegria, há a juventude que sem receios se junta aos mais velhos e a todos, formando um só conjunto.

O que esperar então do advento? Nada, a não ser sentir, partilhar afetos, espalhar a beleza de um sorriso. Deixar entrar nas nossas vidas este significado e quem venha por bem, deixar o tempo correr e darmo-nos, apesar do tempo ser ainda mais curto neste mês, ainda mais complicado, ainda mais tudo...mas também nós podemos ser ainda mais tudo nem que seja por um minuto, porque esse minuto para outrem pode representar o único momento verdadeiro e importante desta quadra.

Não, o advento não é correr pelas lojas em loucura, nem tão pouco encher sacos e a casa de presentes, é ponderar, é ir, é estar, deixarmo-nos estar com o outro e para o outro. Oferecer mimos, não super e dispendiosos presentes ou se preferir complementar, mas nunca presente por presente, sem significado ou emoção.

Esta crónica pode também ela ser um ínfimo momento, mas se lhe deixar um pouco da emoção que senti com a visita destes meninos, se lhe conseguir transmitir o calor desse afeto, em simultâneo por lhe agradecer, pois o leitor quando me lê também está comigo, então também esta escrita terá todo o mérito de existir.

Esta crónica é igualmente o meu pequeno tributo a estes meninos, às catequistas, familiares e a todos aqueles que contribuíram para este acontecimento, para este dia que nos trouxe o verdadeiro significado da quadra, que nos trouxe uma forma maravilhosa e perfeita de iniciar o advento...muito obrigada!

Boas festas!

 

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves