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Susana Veiga Branco

Susanaveigabranco01Como todos os dias são tempo para homenagear a leitura e a escrita, esta é a minha singela homenagem de hoje, de hoje porque nunca é demais homenagear o que gostamos, o que nos faz bem e o que produz diferenças na vida de outrem.

Estava eu a ler uma crónica de Miguel esteves Cardoso sobre a paixão por ler livros, quando parei e dei por mim a parar e a ir escrever.

E senti, naquele instante, mais uma vez aquele arrepio significativo do quanto a leitura e a escrita me são inerentes e naturais, não como a caneta é uma extensão do corpo, mas mesmo parte de quem sou.

Há um borbulhar na escrita, ao formar textos, que não se explica, e daí escrever tanto, muito para mim própria, que fica em múltiplos cadernos, blocos e todos os papéis que me vão surgindo no momento. Desde o apontar notas e ideias a conceções maiores, enfim, comigo e em todos os cantos da casa, das pastas e malas, dentro de livros e afins estão pedaços que vou deixando. A alguns regresso; outros nem tanto, ora esquecidos ora qualquer coisa que nem sei.

Falava eu num borbulhar, sim, um borbulhar, como uma chaleira que vai fervendo, assim evolui um livro.

Também noutro dia, numa homenagem a que fui, se falava com ardor no amor aos livros; ainda outra pessoa escrevia sobre o ter uma biblioteca como um ato diferenciador da pessoa. Tenho gosto por ter e ir constituindo uma biblioteca, mas também tenho gosto por espalhar livros por toda a casa, como se todos os lados fossem bibliotecas. Gosto de os ver desarrumados, confesso, com a história de quando ficaram nesse sítio e porquê, com aquele momento retido.

Há pouco tão bonito e simultaneamente simples e forte como ler um livro ou escrever um texto. Vive-se sem eles? Vive-se sem a escrita e sem a leitura? Não sei, porque desconheço essa existência. Leio de tudo, desde livros técnicos a poesia e documentários, revistas, jornais e nem dispenso a BD (pois, não passo sem a minha Mafalda, o meu Calvin, o meu Garfield, etc etc etc).

De tudo, e até os livros que os meus filhos lêem, primeiro porque gosto de acompanhar o que lêem e depois porque sinto que eles gostam de podermos partilhar histórias.

Não, na leitura não tenho a escolha do livro “da minha vida”, tenho muitos, porque em tantos mundos inexplorados existe uma imensidão a que não resisto e todas as singularidades me atraem. A alguns regresso, outros gosto de os ter perto de mim e só de olhar para eles já me deixa recompensa, como se algo neles fosse vivo.

Leio vários em simultâneo e escrevo vários textos em simultâneo, porque na vida também não se faz só uma coisa de cada vez.

Não foi um livro que me marcou a vida, foram e são tantos livros…os livros são como vários filhos; jamais se escolhe um.

Todos têm o seu lugar.

 

Inauguração Sabores do Toiro Bravo, em Coruche - fotos João Dinis