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Susana Veiga Branco

Susanaveigabranco01Estamos em vésperas de Natal. E Natal é nascimento, começo, início, portanto, esperança e novidade, uma carta fechada para o a partir daqui.

Certamente por estar mais tempo em casa ultimamente, tenho tido algo que nos últimos tempos não acontecia. Tenho tido tempo para parar em termos de espaço, tempo para reparar em pormenores, daqueles pormenores interiores que tendemos ou forçamos a calcar para um canto, porque não há tempo para lhes dar relevância.

A verdade é que por muito que a correria dite que nos distanciemos de nós próprios, não retiramos do ser aquilo que ele intrinsecamente é, somos quem somos, seres em evolução, mas a base, o tal barro é aquele a que chamamos personalidade ou o modo de ser de cada um. Por muitas voltas que se dêem, ai, o barro está lá e revela-se ora aqui ora acolá.

Estava eu a partir nozes para o meu filho, aproveitando os raios quentes de um dia solarengo; a fazer os cabazes de Natal para a família, com os produtos cá do campo, o azeite e a pinha cheia de pinhões; a terminar a toalha de Natal que vou bordando a meias com a minha filha e a pensar: o campo está de tal forma vincado em mim e eu nele que a simplicidade de encher garrafinhas de azeite do olival cá de casa me fazem feliz. Ver o produto da terra a alimentar, ver a família a crescer...já tão falado mas parece-me que cada vez menos vivenciado e sentido pela nosso sociedade. Muitos outros exemplos poderia dar. O rural, a simplicidade e os valores inerentes aos mesmo até estão na moda, mas ainda muito só em palavras, estudos e projetos, ainda em pequeníssima percentagem. São eles o futuro.

Mas voltando à palavra Feliz, como dizia, essa palavra que não se explica, porque o sentimento suplanta sempre a explicação. Lembramo-nos desta palavra? Utilizamo-la? Ou está esquecida?

Mas parece redutor, não é? Feliz por realizar tarefas tão simples quando se tem projetos tão maiores em mãos. Mas é um facto. O tempo escorre e esquecemo-nos daquelas ínfimas, pequeníssimas sensações, mas enormes para cada um.

Quando o que realmente queremos sai do tal canto escuro para onde o atirámos e salta para a luz do dia, é mais do que um simples exercício, é uma benção.

Um dia disseram-me para fazer aquilo que faço por mim, não procurando a aceitação dos outros, porque não preciso dela. E não. Agirmos de acordo com aquilo que nos faz bem e deixar as avaliações dos outros de lado faz todo o sentido e faz-nos bem, dá-nos paz.

Mensagens pequeninas de Natal, quase notas, para todos nós que avidamente tentamos engolir o mundo, mesmo sem dar por isso, e quando damos por nós o mundo é que nos engoliu.

Sabemos que há quem tenha tudo e há quem ainda durma ao relento e precise de um casaco e de um cobertor e há quem se aproveite disso tudo, usamos o outro e deixamo-nos usar, num misto em que me vem à mente disgusting. Repugna e é o oposto a humanidade, esse ser humano com as suas imperfeições…mas também acredito que temos todas as condições para melhorarmos, se assim o quisermos e para recuperarmos genuinamente as nossas bases.

E se não pensarmos nestas coisas no Natal, quando pensaremos?

Acredito que 2018 vai ser um ano fantástico, um ano de mudanças e também de continuidades, um ano em que poderemos utilizar mais a palavra Feliz!

Boas Festas!

 

Partida em Coruche do Grande Prémio de Ciclismo Abimota - Fotos: João Dinis