chamusca pinoquioavisan2017

Susana Veiga Branco

Susanaveigabranco01Terminadas as eleições autárquicas de 1 de outubro e apurados os resultados, deixa-se para trás das costas a azáfama, alarido e confusão inerentes às mesmas.

Mas que conclusões retirar? Que elações dos resultados?

São muitas as análises, as conclusões ou constatações, mas há algumas, entre outras, que me chamaram a atenção:

- Uma dessas constatações é que no nosso Concelho, mas também um pouco por todo o País houve uma escolha de políticas de continuidade. Ora isto significa que a população não quer apenas obra imediata mas uma continuação, não pretende grandes ruturas, talvez por cansaço do entra e sai de cena, das quantias avultadas gastas nas mudanças partidárias, mas pretende uma Freguesia, um Concelho e um País mais estáveis.

- Outra constatação prende-se com a proximidade. A escolha de quem “diga algo” à população, de quem esteja próximo, mas não uma proximidade qualquer, uma que seja percecionada como real e associada a simplicidade. A simplicidade q.b. parece “vender”, tal como a sinceridade. A população associa cada vez mais a pessoa com os seus ideais e menos com o partido. Aliás, o paradigma do partido do coração, do partido que ora escolhido é para votar toda a vida alterou-se. Vota-se mais em quem se acredita do que no partido a que se pertence. Quanto mais jovem se é, menos se liga ao partido A, B ou C e mais à figura.

É estranho, mas parece mesmo que as propostas e projetos eleitorais, embora importantes, não são a peça determinante, a não ser pela negativa, para excluir.

- Longe parece também ser o tempo em que grandes campanhas, com gastos loucos, levavam a grandes resultados. Agora, podem ser em menor escala, mas mais incisivas, com grandes apostas nas redes sociais, por exemplo.

- As mulheres estão na moda, em política, para além da lei da paridade. Já são poucas (embora ainda tenha havido algumas) as listas que não apresentaram um número suficiente de mulheres, mas o que acho interessante é serem tantas a liderar e cabeças de lista (e este facto já não é obrigatório legalmente) e mais, é bom ver como trabalham com um profissionalismo e dinamismo tão fortes e preponderantes que têm resultados repetidos de sucesso. Vieram para ficar e para aumentar.

- A noção de sentido de voto mais vincada parece continuar a ser o da pessoa idosa, enquanto que jovens ainda se demitem muito deste dever e direito. Continua a ser altamente preocupante a falta deste sentido nos jovens.

- Colando-se com o último ítem, temos de referir sempre a abstenção, pois em 9.501.103 inscritos, votaram 4.998.005. Isto significa que votou apenas 52,60% da população, sendo a restante percentagem abstenção. A abstenção, junto com a fraca adesão a toda a participação ativa, culmina em zero, ou como se diz agora, em “bola”, nada. É como dizia Sá Carneiro: “Se nos demitirmos da intervenção ativa, não passaremos de desportistas de bancada, ou melhor, de políticos de café”. A falta de alternativas, de identificação com o seu partido ou com as figuras políticas ou apenas o desinteresse generalizado deitam por terra o direito que se conseguiu com muita luta, a liberdade de votar, de escolher.

- Os Movimentos Independentes, esses, estão mais fortes e existem em maior quantidade do que nunca. Para o mandato 2017-2021, foram apresentadas 93 candidaturas independentes às Câmaras Municipais, 89 para Assembleias Municipais e 948 para as Assembleias de Freguesia. Retiram poder aos restantes partidos e são já a quarta maior força autárquica. Há mesmo razão para os partidos se sentirem incomodados.

É claro que são algumas meras questões gerais, que cada caso é um caso, mas que sem sombra de dúvida nos levam a refletir sobre o rumo a partir das nossas escolhas enquanto cidadãs e cidadãos, sobre o nosso modo de estar e de agir.

Instalam-se agora os novos órgãos autárquicos pelas 18 Freguesias do Concelho de Santarém e respetiva Câmara. Aliás, por todo esse País fora. A tomar posse estão 308 presidentes a Câmaras Municipais, respetivas equipas e Assembleias Municipais e 3.091 Assembleias de Freguesia. 2.086 mandatos.

Vêm aí as novas ideias, novas realidades, um novo mandato. E como a vida decorre tão depressa, em 2021 faremos o balanço!

 

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis