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Susana Veiga Branco

Susanaveigabranco01Parecem dois temas distintos, mas interrelacionam-se na perfeição.

Quem faz estrada, auto-estrada e caminhos secundários sabe do que falo, falo de formas de atuação que determinam o nosso dia a dia, mas falo também de conhecermos as pessoas através das suas atuações. A forma de encarar o trânsito define-nos enquanto pessoas, está provado por variados estudos académicos.

Quem inicia as suas manhãs com horas de condução sabe o que mais incomoda no trânsito, o que mais facilita e o que nos leva ao rubro do desassossego e até mesmo revolta. Há quem ande com lentidão, quem goste de avançar, quem veja sentidos únicos... A ponderação, persistência ou desistência são opções, seleccionando percursos, verificando quais valem a pena e quais nem vale a pena darmo-nos ao trabalho. E quem se deixa levar aos 30kms/h, com uma fila atrás estando sempre zen, é o quê? Ou os que estão nessa fila e igualmente zen são também o quê? Calmos e tranquilos por natureza? Sem horários e sem preocupações? Esperam alcançar algo mas com pouco ou nenhum esforço?

Sabermos o que esperar das pessoas segundo a sua forma de estar e encarar situações é conhecer essas pessoas. E as pessoas conhecem-se através do dia a dia, do seu percurso de vida, da sua forma de estar.

Falemos então agora em termos eleitorais. Parece cedo, mas não é. Iniciamos uma época complicada: época de autárquicas – época em que se vive para elas, em que se respira para elas, em que mais nada parece acontecer ou ter relevância. Época difícil; não gosto dela.

Época em que vale tudo, de maledicência, de sorrisos a mais, de perfis falsos nas redes sociais, um atentado à democracia. É o vale tudo por um lugarzinho aparentemente “ao sol”, de “salvar a pele”, de estratégias e mais estratégias, a maioria já tão velhinha, tão gasta mas sempre usada, outras novas, enfim... Mentes que se vêm como inteligentes e iluminadas…e muitas vezes são e outras nem tanto. Tempo desperdiçado e consumidor de energia.

Digo-o sem receios, autarca e candidata que sou, com uma agenda a que tenho o prazer de chamar muito própria. O meu beijo e abraço vão como sempre foram; a minha presença é quando posso, como sempre; a minha família acompanha-me muito e tento sempre que venha antes; tenho outros afazeres e não dependo das funções autárquicas, mas gosto delas e das pessoas; o trabalho, preocupação e procura de soluções, esses são diários e constantes. É assim que sou. Mas cada um sabe de si.

Defendo que o percurso desenvolvido ao longo dos tempos e dos mandatos deve ser revelador do trabalho e valor dos candidatos. Não é em última instância que se manifesta trabalho. A sinceridade deve ser genuína e as estratégias uma mais valia para aqueles para os quais se pretende trabalhar.

Precisamos de gente de qualidade, dedicada e disposta a fazer. Não chega encher listas ou debitar nomes…ai, as aparências e ilusões…

Como em tudo, existem pessoas com competência para desempenhar os seus cargos e outras nem tanto, como sempre, há quem bata com a porta e há quem não se descole apesar de pouco fazer…no meio de tudo isto, gera-se tanta confusão que há uma dada altura em que tenho quase a certeza que muitos se esquecem do motivo da eleição e de quem elege: a população.

Mas há também outros que são o oposto, que entregam o pouco tempo que têm de coração aberto pela causa. Nem tudo é lindo e perfeito e nem tudo é feio e imperfeito. Infelizmente, há são muitas zonas cinzentas que pairam em todo este sistema, talvez devido à imperfeição de todos nós, enquanto seres humanos, talvez por falta de humildade e de valores e até de conhecimento daquilo que é desenvolvido e dos processos para esse trabalho, denegrindo o trabalho alheio e saindo-se impune.

A responsabilização e a desresponsabilização andam sinuosos. Voltemo-nos mais para as nossas comunidades, para as pessoas e suas necessidades e gostos, que é para isso que cá estamos e menos para lutas e disputas.

Meus amigos, a vida é a tal estrada, sim, façamos por ela, mas com respeito e dedicação, com objetivos corretos e amor à causa, trabalhando dignamente e não esquecendo que os atos que cometemos normalmente voltam para nós. Despendemos imenso tempo das nossas vidas com trânsito e incómodos variados e mesmo com a vida dos outros, que nos pretendem consumir a energia…é Primavera, disfrutemo-la! Aconselho passeios pelo Ribatejo, pelo Concelho de Santarém – são 18 Freguesias a percorrer…acalma…vamos lá!

 

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis