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Susana Veiga Branco

Susanaveigabranco01Há 40 anos atrás - nascia uma Associação, a Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico Cultural de Santarém.

A AEDPHCS iniciou-se na sequência do êxito da Exposição Santarém – A Cidade e os Homens, ocorrida em 1977. Fundada por um grupo de cidadãos ligados à História local, à Arte e à Defesa do Património, assumia-se como uma Associação cívica que tinha como objetivos o estudo, investigação, salvaguarda e valorização dos aspetos monumentais, urbanísticos, etnográficos e culturais do Concelho de Santarém. Pretendia incidir sobre o conhecimento científico da história do Património nos aspetos socio-económicos, artísticos e arqueológicos.

Integrando-se na classificação de ONG, baseava-se em princípios de total isenção político-partidária e interesses económicos ou de qualquer outra instância.

Foi uma das duas primeiras Associações de Defesa do Património constituídas em Portugal, ainda antes de se falar correntemente do conceito de defesa do património.

Com ela, foram constituídas Comissões de Arqueologia, História Clássica, História Medieval, História Moderna, História Contemporânea, do Projeto de Alcáçova e da Comissão de Salvaguarda, entre outras. Estabeleceram-se relações com outras Associações Nacionais e promoveu-se a Associação e a Cidade de Santarém a nível nacional e internacional. No domínio da defesa e valorização do património, foi órgão consultivo da Câmara Municipal de Santarém, relativamente a projetos de remodelação de edifícios do centro histórico. Colóquios públicos, visitas guiadas, variadas ações culturais, comunicações, exposições, protocolos, encontros de Associações de Defesa do Património (entre 1980 e 1997, tendo sido em Santarém que ocorreram o primeiro e o último desses encontros), publicações, catálogos, postais, boletins, inventário de Edifícios Classificados no Concelho, coordenação do Projeto-piloto Europeu A Escola Adota Um Monumentoem Portugal e intervenção no processo de Candidatura de Santarém a Património da UNESCO são alguns exemplos da dinamização e divulgação efetuadas por esta Associação.

Com o passar e tempo, vieram, por razões às quais não vamos aqui dar destaque, alguns anos de inatividade. Agora, o presente, e vou dizê-lo de forma totalmente isenta e sem pretensão de absolutamente nada a não ser a constatação da existência e trabalho desta histórica Associação, traz-nos nova realidade: a Associação tem desde 20 de janeiro deste ano novos órgãos sociais: Eduardo Tavares preside uma direção que integra os nomes de Maria de Lurdes Farinha, Celso Braz, Susana Veiga Branco e Gustavo Pimentel. Comissão de contas presidida por José Carlos Pó e também com Miguel Ângelo António e Luís Fidalgo. Mesa da Assembleia geral presidida por António Pina Brás e com António Monteiro e António Conceição Pedro.

Uma equipa que apresenta um plano de atividades pensado e estruturado, segundo têm divulgado. Exemplos disso são o repensar do papel deste tipo de Associações, com a evolução natural dos tempos, e para tal irão participar no Fórum das ONG do Património 2017, em abril, sob o lema Unir as ONG em Defesa da Nossa Herança Comum, que contará com a participação do Centro Nacional de Cultura, entre outros.

Também a criação de grupos de trabalho em áreas como Pedagogia, Escolas Básicas e Secundárias, Universidades locais, trabalho com tecido empresarial, trabalho com estruturas de poder local e associações cívicas; trazer os adultos mas também as crianças e jovens do Concelho para a Associação; retomar as relações com as forças vivas da cidade; trabalhar diretamente com as Freguesias rurais do Concelho e introdução do conceito de património imaterial na Associação, como é o caso do nosso Rio Tejo, tal como estabelecer uma rede dinâmica de parcerias fazem parte da ordem de trabalhos futuros.

Iniciaram com questões de caráter primário e burocráticas, como a nova sede (espaço disponibilizado pela CMS, na ex-Escola Prática de Cavalaria) e têm sido notícia em todos os meios de comunicação social da região. Tarefas impregnadas de esperança por parte dos cidadãos que vêm o seu património pouco aproveitado e abandonado e assim o vão transmitindo. Muita responsabilidade inerente ao processo.

O valor único do vastíssimo Património do Concelho de Santarém merece defesa e visibilidade em todas as suas determinantes. Não se pode deixar esquecido, é uma fonte de riqueza que qualquer País desenvolvido tiraria um enorme partido e isso é significativo, pois sim.

Mais do que apenas olhar, deve-se ver mais longe, assim, de certa forma, me recordava no outro dia um professor e amigo que muito gosto e respeito. Há tendência a esquecermo-nos deste facto, com a rapidez do decorrer da vida.

Desafios, para quem pretende valorizar e promover uma das nossas maiores riquezas, o nosso Património… 

Balonismo em Coruche - Fotos João Dinis