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Susana Veiga Branco

Susanaveigabranco01Tempo de parar e refletir, obviamente sobre o marco na história que é a vitória de Trump e de uma era que foi esta campanha eleitoral, esta vitória e que será daqui em diante. Novos tempos irromperam, nova era.

Eleito o quadragésimo quinto e atual Presidente dos Estados Unidos da América, viveriam-se tempos certos de rutura e de mudança fosse Donald Trump (com o seu modo peculiar de visão) ou Hillary Clinton (seria a primeira mulher Presidente dos EUA). Foi Trump, foi o Partido Republicano. Quer se goste quer não esta é a realidade e estejamos nos Estados Unidos, em Portugal ou em qualquer parte do mundo existirão consequências, para todos; ou não correspondessem os Estados Unidos a cerca de 25% do PIB mundial.

Agora é que se questiona como a superpotência teve o resultado que teve, porque até agora parece que foi a ironizar. A China reúne de emergência mal sabe do resultado eleitoral; a classe jornalística mostra-se indignada e ofendida, os mercados começam por cair, a população faz manifestações e indigna-se, mudanças drásticas e instabilidade são esperadas, etc etc etc.

Donald John Trump, o homem cuja comunicação social massivamente ridicularizou e desacreditou, o magnata do mundo dos negócios, autor de livros e vedeta televisiva oriundo de Nova Iorque desde 14 de junho (três dias antes de mim…isto há-de significar algo…) de 1946, há 70 anos, 3 casamentos, 5 filhos e cujos investimentos vão desde a área imobiliária aos concursos de beleza, que também já passou por problemas financeiros e voltou em força. Nota-se.

Depois de tanta confusão, em que se lançaram resultados de sondagens que incorretos, pois não nos esqueçamos que se uma parte significativa do eleitorado se recusou a responder e por isso não foi considerada, levando forçosamente a erro, o resultado tinha grande probabilidade de ser oposto ao esperado para muita gente, não posso deixar de salientar a falta de isenção da classe jornalística.

Não consigo deixar passar o terem por certo e garantida uma das partes e deliberadamente terem feito campanha contra Trump. Esqueceram-se de quem são, da sua génese; esqueceram-se da questão primordial da proximidade de um dos candidatos e falta dela no outro (o que faz mesmo toda a diferença); esqueceram-se do poder político que este multimilionário já tinha na Casa Branca antes da candidatura; esqueceram-se do desacreditar do povo, da imensa revolta e sobretudo do seu modo de pensar; esqueceram-se de tanto e muito mais.

Não digam que quem votou Trump é a população iletrada e a parte da América profunda. Vejam os dois lados, vejam a quantidade de letrados que votou favoravelmente. E reflitam.

Enquanto o mundo parecia pensar noutro registo, resultou o discurso contra todas as normas políticas e poder instituído; a política económica protecionista prometida levando a término acordos de livre comércio (retirando inclusive os Estados Unidos da Organização Mundial do Comércio e impondo taxas altíssimas à importação de produtos mas reduzindo os impostos internamente); a possível saída da NATO, a deportação massiva de imigrantes e criação de bases de dados populacionais, o erguer um muro com o México, fecho de fronteiras e não permissão de entrada de muçulmanos, o sair do acordo de Paris devido às alterações climatéricas; o apoio à pena de morte e uso de armas pelo indivíduo como forma de proteção individual; o terminar com toda e qualquer medida aplicada pelo modelo económico e social do antecessor Obama, entre muitos outros pontos do programa eleitoral de Trump.

Há quem questione se será Mike Pence, vice-Presidente ao qual Trump pretende alterar a legislação para dar mais poder, a governar. Será para Trump uma provocação a candidatura e ter vencido as eleições e agora passar a bola? Há quem desconfie, há também quem desconfie do seu bom relacionamento com Putin e das suas intenções em geral e em particular. Tanto mais haveria para dizer…

Ficam também dados inovadores e positivos: segundo o novíssimo Presidente de todos nós, o aquecimento global não existe, sendo um truque da China para travar o desenvolvimento produtivo dos EUA! E nós a pensar que as alterações climáticas eram um problema crucial a larga escala…boas notícias!

“Make America Great Again!”, gritava Trump; agora tem a oportunidade…

Balonismo em Coruche - Fotos João Dinis