chamusca apptagus

José Carlos Antas

jose carlos antasNeste período de fim de um ciclo e início de outro é tempo de balanços e de estabelecer objetivos e projetos individuais e de grupo, familiares e organizacionais, públicos e privados. Para tal, muitos comentadores e colunistas (opinion-makers) dentro da sua especialidade procuram vislumbrar o futuro no plano económico, político, social, geoestratégico (está na moda esta palavra) entre outros, de modo a que as pessoas se preparem melhor para o ano que vai chegar.

Há uns bons anos atrás, surgia na televisão por estas alturas o astrólogo Zandinga que predizia alguns acontecimentos que poderiam surgir nos 365 dias vindouros. Era sempre algo que as pessoas achavam interessante, quer de uma forma mais séria, quer de uma forma mais jocosa, mas o que é um facto é que toda a gente comentava as suas premonições nos dias seguintes.

No entanto, hoje em dia surgem os comentadores e colunistas com as suas mais elaboradas teorias, assentes na sua experiência, nas relações causa/efeito dos factos e nos conhecimentos privilegiados que dispõem, procurando elucidar o público com a sua clarividência em sólidas análises de informação. Assim, lá surgem no plano nacional, os assuntos atuais: a Gerigonça que cai ou não cai, o Marcelo que bate índices de popularidade, mas pode cansar a sua imagem, o défice é ou não cumprido, se há ou não há investimentos público, etc. No campo internacional fala-se na instabilidade de Trump que vai abanar a geopolítica mundial, fala-se no Brexit, na possível eleição de Marine Le Pen na França, no futuro da Europa, na crise dos refugiados, no Médio Oriente, na estratégia de Putin, os desafios de Guterres na ONU e muitos outros assuntos.

Nada surpreende os comentadores, têm resposta para tudo e já esperavam que determinado facto acontecesse, mesmo o mais inesperado e absurdo, até porque têm logo várias razões apontadas para tal acontecimento. São os adivinhos do nosso tempo, são astrólogos letrados e experientes que juntam as peças de um puzzle complexo que só alguns sabem interpretar. Por vezes enganam-se, mas no meio de tantos palpites, acertam em muitas coisas e até com lógica.

Eu confesso que fico admirado com a sua rapidez de raciocínio e resposta pronta. Como gostaria de ser assim. Ainda com alguma esperança, olho para um pisa papéis em cima da secretária que parece uma bola de cristal, mas é um objeto que virado de pernas para o ar e de novo colocado no seu lugar faz o efeito de neve numa casinha pequena. Vislumbro umas cartas que poderiam ser de Tarot, mas apenas servem para jogar à sueca, copas, bisca, lerpa, etc., olho para o céu e vejo constelações em vez de ver signos e ascendência dos astros. Que tristeza, não sei adivinhar nem interpretar. Nem de modo científico, nem esotérico.

Assim, no meu senso comum, resta-me pensar que, no fundo, 2017 não é mais que a continuação de 2016. São apenas dias num calendário inventado pelo Homem, que tem várias leituras e escalas. O ano Chinês é diferente, o calendário muçulmano também o é. Que os acontecimentos sucedem-se e, por vezes, são inesperados, mesmo para aqueles que dizem que estavam à espera. Que as razões dos acontecimentos devem existir, mas algumas não são explicáveis ou inteligíveis por nós.

Finalizo, desejando que o ano de 2017 que se inicia seja repleto de bons acontecimentos, daqueles que todos gostam, daqueles que nos fazem caminhar para os nossos objetivos e que a realização destes nos traga a Felicidade. Afinal é isso que procuramos ano após ano.

 

XTerra Golegã - Fotos Carlos Simões