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Economia

A 29ª edição da Feira Empresarial da Região de Santarém (FERSANT) arranca este sábado, 2 de junho, em simultâneo com a Feira Nacional da Agricultura, no Centro Nacional de Exposições, em Santarém.

Tal como no ano anterior, a FERSANT conta novamente com casa cheia, estando presentes 73 empresas neste que é um espaço privilegiado para o encontro entre empresas e realização de negócios na região do Ribatejo.

Entre as empresas presentes estão algumas das mais emblemáticas da região no setor agrícola e agroindustrial, como a Renova, a Maxipet, a Rações Zêzere e a Diamantino Coelho e Filho. Estão ainda representados setores de atividade nas áreas do comércio, ensino, indústria e serviços, bem como entidades ao nível do empreendedorismo.

A FERSANT é organizada pela Associação Empresarial da Região de Santarém (NERSANT), que não dúvida que a presença das empresas aporta benefícios como o aumento de vendas, angariação de novos clientes, promoção da inovação, novos produtos ou serviços, benchmarking e melhoria e promoção da imagem da marca e prestígio dos produtos.

Por ser uma feira empresarial, os visitantes, serão na sua grande maioria, potenciais clientes e essa particularidade associada ao certame, pretende ser um dos seus atrativos principais.

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Há um novo gin “made in” Ribatejo. Chama-se Sun Doors (Portas do Sol) e promete destacar-se da concorrência pela qualidade e por se poder beber puro, com gelo, e sem outros aditivos.

Em desenvolvimento há mais de dois anos, o Sun Doors é um projeto do empresário ribatejano Vítor Almeirão, que começou ligado à agricultura e hoje divide a sua atividade pela produção de relva, comercialização de lenha e reciclagem, entre outros negócios, a que se junta agora também as bebidas.

A ideia de criar um gin surgiu há cerca de 3 anos, após algumas idas ao estrangeiro, sobretudo a países onde o consumo de cerveja é muito popular. Começou a apreciar cervejas artesanais e achou que tinham mais qualidade e eram mais saudáveis. Quando regressou a Portugal, começou a produzir a sua própria cerveja, para beber com os amigos.

Estávamos então em Maio de 2015 mas a bebida da moda era o gin e Vítor Almeirão decidiu fazer uma pausa na cerveja e apostar no gin. Em janeiro de 2016 começou a dura batalha a acertar ingredientes. “Comecei com 46 produtos e aquilo era uma coisa muito ruim”, admite com um sorriso.

Experiência após experiência, foi tirando ingredientes e experimentando novas misturas. Diz que trabalhou como já não trabalhava há muitos anos e, apesar de não beber muito, houve muitos dias que às 8 da manhã estava com 7 ou 8 copos à frente para ter de optar. “Houve dias em que provei 20 ou 30 gins. A determinada altura sabe quase tudo ao mesmo”, acrescenta.

Garantindo que o álcool utilizado para produzir o Sun Door “é um dos melhores do mundo” e que “não dá ressaca”, Vítor Almeirão explica que a base do produto são cereais de várias espécies e frutas essencialmente da região, sobretudo as mais maturadas, que garantem um melhor sabor.

Meio milhão de euros e muitas contrariedades depois

vitor almeirao 02Desde a ideia inicial até hoje, em pouco mais de 3 anos, Vítor Almeirão diz que já gastou mais de meio milhão de euros, num percurso de alguma sorte e muitas dificuldades. “Tive a sorte de encontrar este espaço, um lagar de azeite que estava abandonado mas que tinha o licenciamento ativo, o que foi uma mais valia em termos de licenciamento e de todo o processo burocrático”, explica.

Mas nem tudo foram rosas. O primeiro alambique tinha um defeito de fabrico e teve de ir para a fábrica. Após a reparação voltou a ser montado mas ouve outra parte que avariou. “Ninguém se convença que vai fazer uma coisa diferente e que vai correr tudo bem. A única coisa certa é que alguma coisa vai falhar”, diz, garantindo que nunca pensou em desistir.

As instalações, situadas no Verdelho, Santarém, têm capacidade para produzir 300 garrafas por dia mas se for preciso passar às 3.000 consegue-se de forma rápida e com pouco investimento porque as instalações são grandes e suportam o aumento de produção.

“É só aumentar alambiques”, explica, adiantando que já tem bastante stock e está preparado para as encomendas que possam surgir. “Já passei noutras fases da vida empresarial por querer crescer e satisfazer o cliente e estarmos limitados ao espaço. Aqui já estou preparado para 2 ou 3 anos, pelo menos”, refere.

Feira da Agricultura vai ser o primeiro grande teste

vitor almeirao 03A primeira grande ação de marketing do Sun Door vai acontecer na Feira da Agricultura, que se realiza, no CNEMA, em Santarém, de 2 a 10 de junho. A marca vai ter um stand na Nave A, no salão de provas, e outro espaço do jardim interior do lado direito, onde haverá um bar com mesas, pufs e música a tempo inteiro para que as pessoas se possam sentir bem ao provar o gin.

Ao contrário de outras marcas, que apostam muito nos barmens e na decoração dos copos, o Sun Dors vai apostar na qualidade do produto, simples e sem grandes decorações. “Este gin foi desenvolvido para se poder beber puro, com gelo. Para mim não faz sentido comprar um gin e ter que lhe acrescentar qualquer coisa ou estar limitado porque este só combina com o pepino, o outro com a maçã e o outro com o morango. Aparece-nos um amigo, não tempos fruta e não o podemos oferecer. Procurei desenvolver um gin para se tomar sem mais nada”, explica.

As primeiras opiniões, sobretudo de amigos e amigos de amigos, têm sido excelentes. “Peço-lhes para serem sinceros e é engraçado porque alguns até dizem que não gostam de gin mas depois de provar dizem que gostam bastante”, relata.

A associação do Sun Door à região é visível não só no nome mas também no logotipo e na garrafa, onde aparece um cavalo em grande destaque. “Pensei nas Portas do Sol, que é um símbolo que toda a gente gosta e porque de lá que se vêm as Lezírias, onde se produz o que de melhor temos. O cavalo é um elemento essencial na região e um animal bonito de que toda a gente gosta”, explica o empresário, assumindo que quer levar a marca além fronteiras.

Um empreendedor que não consegue estar sossegado

Nascido em Tremez há 53 anos, Vítor Almeirão começou na agricultura. Desde pequeno que se lembra de querer ser empresário e só estudou até ao 11º ano porque achou que era importante ter conhecimentos académicos.

Começou na agricultura na altura dos subsídios para as estufas e mais tarde foi o primeiro produtor nacional de courgette, beringela, couve roxa, couve branca, melancia amarela e sem semente, num percurso em que sempre procurou nichos de mercado.

Algum tempo depois, como a agricultura estava mais parada no Inverno, começou a vender lenha embalada para os hipermercados e foi perdendo o gosto pela agricultura, que era bastante stressante. “Às vezes pediam às 2 da tarde para entregar às 7 ou às 8 e achei que não era bem aquilo que eu queria. Coisas vivas e que percam a validade nunca mais”, garante.

Da lenha passou ao substrato de plantas, que não se estraga e quanto mais velho, melhor, e o projeto seguinte foi a Biogoma, uma empresa de reciclagem que transforma pneus usados em granulado de borracha que tem uma elevada gama de aplicações.

Mas não se ficou por ai. O negócio seguinte foi a produção de relva natural. Comprou o primeiro terreno na Zambujeira do Mar, depois outro em Aveiro e mais recentemente em Almeirim, produzindo atualmente no Norte, Centro e Sul do país.

Na crise, em período de troika, achou que ter negócios só em Portugal não era seguro e foi até ao Brasil, onde confessa que passou dois anos difíceis, adiantando que só recentemente os negócios entraram nos eixos.

Mas desengane-se quem pensa que as coisas vão ficar por aqui. Depois do gin virá a cerveja artesanal, que ficou um pouco esquecida, e já há planos para uma unidade de turismo rural na Zambujeira do Mar.

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IMAGEM ILUSTRATIVA

Um conjunto de empresas portuguesas produtoras de insectos destinados à alimentação animal, mas também humana, juntou-se na Portugal Insect - Associação Portuguesa de Produtores e Transformadores de Insetos, constituída formalmente na semana passada, com sede na Estação Zootécnica Nacional, situada no Vale de Santarém.

Segundo a agência Lusa, que avança a notícia, estes produtores juntaram-se para se prepararem para as alterações legislativas que, a partir de 2019, vão mudar completamente o panorama destes novos nutrientes.

A utilização de insetos na alimentação humana já é bastante conhecida noutros pontos geográficos, mas na Europa foi enquadrada como um novo alimento, o que implica, desde o início deste ano, que sejam submetidos diplomas para aprovação da sua utilização como alimentos para humanos.

Foi isto que fez as empresas EntoGreen, Nutrix e Portugal Bugs juntarem-se para criarem a Portugal Insect, mudando consciências e procurando dinamizar um setor que está a aparecer.

Os investigadores do polo do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) no Vale de Santarém estão a fazer a caracterização química das larvas e a estudar a sua digestibilidade, em modelo de simulação, para porcos e a ensaiar a substituição da soja por farinha de insetos na alimentação de frangos em engorda, avaliando ainda o impacto ambiental.

As larvas de insectos são transformadas em farinhas para incorporar em bolachas, pão, patés, barras proteicas, tornando estes alimentos ricos em proteína animal.

Partida em Coruche do Grande Prémio de Ciclismo Abimota - Fotos: João Dinis