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Categoria: Economia

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A greve que os trabalhadores dos transportes rodoviários iniciaram esta quinta-feira, 29 de novembro, está a registar uma adesão que rondará os 90% a nível do distrito de Santarém, segundo o sindicato, e que não chega aos 40%, segundo os números da administração do Grupo Barraqueiro.

Os 90% foram avançados à Rede Regional por Manuel Castelão, delegado do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), durante o piquete que os motoristas realizaram junto à estação de camionagem de Santarém, e que contou com a presença de Arménio Carlos, o secretário geral da CGTP-IN.

Recorde-se que esta paralisação envolve os trabalhadores da Rodoviária do Tejo, da Rodoviária do Oeste e Rodoviária do Lis, que operam nos distritos de Leiria e Santarém, e estende-se até ao próximo sábado, 1 de dezembro.

Dos cerca de 100 autocarros da Rodoviária do Tejo, haverá entre 10 a 12 a circular, e parte deles conduzidos por motoristas recém-contratados “para quem seria complicado aderir à greve”, explicou Manuel Castelão, acrescentando que, mesmo em protesto, o sindicato acordou em destacar um terço dos trabalhadores para os transportes escolares.

O aumento dos salários, do valor do subsídio de refeição e a dignificação da profissão são as principais exigências dos trabalhadores, que acusam a empresa de não dar ouvidos nem respostas às suas reivindicações.

“Temos aqui motoristas a ganhar 609 euros por mês, o que são mais nove euros que o salário mínimo. Isto não pode, obviamente, continuar”, afirmou Manuel Castelão, dando conta que os salários de muitos trabalhadores chega aos “700 ou 800 euros graças às horas extraordinárias que são obrigados a fazer”.

O delegado sindical explicou ainda que há motoristas que trabalham oito horas mas com um intervalo para almoço de quatro horas, o que os obriga a estar ao serviço da empresa num total de 12 horas diárias.

“E o subsídio de refeição é de 2,55 euros, o que nem dá para uma sandes”, desabafa Manuel Castelão.

“Os motoristas têm a dupla responsabilidade de transportar os passageiros e garantir a sua segurança, pelo que a sua profissão tem que ser valorizada, ao contrário do que as empresas do sector estão a fazer”, disse à Rede Regional Arménio Carlos, para quem “nada justifica que os trabalhadores tenham salários tão baixos”.

Segundo o secretário geral da CGTP-IN, esta greve é também uma chamada de atenção para a “melhoria das condições de segurança dos transportes rodoviários e das condições de trabalho de quem assegura esse serviço”, uma questão “a que o governo não pode fingir que fica indiferente”.

Os trabalhadores vão concentrar-se esta sexta-feira, 30 de novembro, às 10 horas, em frente à sede da Rodoviária do Tejo, em Torres Novas.

“Estamos abertos ao diálogo, mas a intenção é só sair de lá quando houver resposta por parte da administração às exigências dos trabalhadores”.

Números da empresa contrapõem sucesso da greve

Segundo a administração do Grupo Barraqueiro, a adesão à greve nas três empresas - rodoviárias do Tejo, Oeste e Lis – “foi de 38,3 % dos trabalhadores ao serviço”.

Em relação à principal reivindicação dos trabalhadores, os salários, a empresa afirma em comunicado que “as condições remuneratórias são as que decorrem do Contrato Coletivo em vigor”, e adianta que já apresentou “uma proposta aos sindicatos, a qual aguarda resposta, estando agendada uma nova reunião para o próximo dia 13 de dezembro”, no quadro das negociações que estão atualmente em curso.

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves