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Categoria: Economia

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“Eu até tenho vergonha de dizer isto, mas, neste momento, as populações estão a ser muito mal servidas. Não por culpa dos trabalhadores dos CTT, mas por culpa da gestão danosa que está a ser feita numa empresa que sempre prestou um serviço público de qualidade”.

As palavras são de Dina Serranho, da direção nacional do Sindicato dos Correios e Telecomunicações, e foram ditas à margem da concentração popular que esteve em protesto contra o possível encerramento da estação de correios de Alpiarça, durante a tarde desta sexta-feira, 5 de janeiro.

A estação de Alpiarça “não dá prejuízo. Prejuízo dão os ordenados que os administradores estão a receber neste momento, nomeadamente o sr. Lacerda, que recebe 57 mil euros por mês”, afirmou a sindicalista, para quem “o que está aqui em causa é a poupança ao máximo para poder encher os bolsos dos acionistas e levar à falência uma grande empresa como são os CTT”.

Este processo “não vai demorar muito se a população não tiver cuidado e as autarquias não exigirem a manutenção de todos os postos e estações de correio abertas”, avisou.

alpiarcaprotestoCTTdinaserranho“Precisamos urgentemente de carteiros e de manter todos os postos e estações abertas para ter um serviço público de qualidade e o mais perto das populações possível”, disse à Rede Regional Dina Serranho, sublinhando que a culpa pelo mau serviço que “está a ser depositada nos trabalhadores não tem razão de ser. Com a falta de trabalhadores que há e com a instabilidade que está a ser criada dentro da empresa, nós somos quase obrigados a prestar um mau serviço, e pelo qual lamentamos imenso”.

O caso da estação de Alpiarça, uma das 22 que a administração dos CTT pretende encerrar em todo o país, é disso exemplo, pois, apesar de se localizar numa sede de concelho, funciona apenas com um trabalhador, podendo existir dois nas alturas de maior afluência de clientes.

“Sabíamos que Alpiarça corria o risco de encerramento quando foi aberto aqui perto um posto de correios”, salientou a sindicalista, referindo-se à abertura de uma livraria que presta alguns serviços postais e entrega encomendas.

Sobre o fim da atividade da estação, “é natural que isso venha a acontecer por parte de uma empresa que quer única e exclusivamente encher os bolsos a quem está empenhado em comprar as ações”, lamentou.

Dos trabalhadores de Alpiarça, ainda nenhum recebeu qualquer comunicação sobre o encerramento da estação ou sobre o seu futuro profissional, mas já há funcionários “de outros locais que receberam informação de que vão ser deslocados”.

“Isto está a criar uma grande instabilidade laboral, porque os trabalhadores estão a ficar preocupados. Vão ser colocados em estações que já têm gente que vieram de outros postos que fecharam há quatro, cinco ou seis anos”, disse ainda Dina Serranho, receando “que isto possa vir a transformar-se num despedimento coletivo a muito curto prazo”.

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