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Categoria: Economia

marta ramalho

Há 17 anos a trabalhar ligada ao marketing no setor dos vinhos, Marta Ramalho, de 39 anos, defende que “hoje só não faz bom vinho quem não quer” mas garante que isso não é suficiente para ter sucesso num mercado em crescimento e cada vez mais concorrencial.

Apesar de atualmente o cenário estar melhor e as empresas apostarem mais no marketing dos seus produtos, Marta Ramalho considera que, durante muito tempo, pensou-se muito na produção mas esqueceu-se a parte comercial, o que levou ao insucesso de muitos projetos.

Formada em gestão de empresas, Marta começou a trabalhar no setor do vinho no ano 2000, na Adega Cooperativa de Almeirim, numa altura em que não era muito frequente ter mulheres a trabalhar no ramo. Ela própria, sem qualquer ligação ao setor, entrou por acaso, após responder a um anúncio de emprego para trabalhar no departamento de marketing.

Nos seus primeiros anos de trabalho, recorda-se que não era muito comum os setores da produção e do marketing trabalharem em conjunto, uma situação que se foi alterando aos poucos, quando se percebeu que era necessário produzir vinhos em função das características que os consumidores procuravam.

Da mesma forma, no início do milénio, por cada dez pessoas a trabalhar na área, 8 eram homens e apenas 2 eram mulheres. Em menos de duas décadas o cenário inverteu-se totalmente e agora, numa estimativa geral, em cada 10, 6 são mulheres e apenas 4 são homens.

Esta evolução acabou também o mito que as mulheres não percebem nada de vinho e é com satisfação que Marta Ramalho vê cada vez mais mulheres a consumirem vinho e a procurarem inteirar-se das diferentes características de cada casta ou região. Marta recorda uma situação, passada numa prova cega de vinhos, em que as mulheres do marketing conseguiram acertar mais que os próprios enólogos.

Com um percurso profissional feito essencialmente ligada a empresas da região – depois da Adega Cooperativa de Almeirim passou ainda pela Quinta da Alorna (Almeirim) e Quinta de Vale de Fornos (Azambuja) – Marta Ramalho trabalha atualmente no grupo Parras SGPS, um dos maiores grupos nacionais do setor, que produz e comercializa vinhos de 7 regiões vitivinícolas, entre elas Tejo e Alentejo.

A especialista em marketing vinícola realça o esforço de promoção feito pelo setor nos últimos anos mas diz que ainda há um longo caminho a percorrer para conquistar novos mercados internacionais e reforçar a presença naqueles onde os vinhos portugueses já dispõem de alguma notoriedade.

É o “efeito caracol”, como lhe chama, que tanto é válido para os vinhos portugueses no estrangeiro como para os vinhos do Tejo em Portugal. Marta Ramalho considera que os ribatejanos têm de ser os primeiros embaixadores dos vinhos da região, consumindo-os e promovendo-os entre amigos e conhecidos. Talvez assim passe também a ser mais fácil encontrar vinhos da região – que em seu entender deram um enorme salto qualitativo nas últimas duas décadas – nas prateleiras dos principais hipermercados.

Reconhecendo que é muito requisitada - seja pela família, pelos amigos, ou pelos clientes – a escolher ou recomendar um bom vinho, Marta não se sente muito confortável nessa pele porque tudo depende de fatores tão distintos como a pessoa, o momento ou o prato. “Não é a mesma coisa escolher um vinho para beber com o meu pai ou com um grupo de amigos, exemplifica”.

 

Tejo a copo no Convento de São Francisco

Juntamente com outras 15 alunas da primeira pós-graduação em “Wine Marketing & Events”, do ISLA de Santarém, Marta Ramalho organiza este sábado, 11 de março, o evento “Tejo a Copo”, que se realiza a partir das 17h00, no Convento de São Francisco em Santarém.

Trata-se de um evento que permite ao consumidor, por apenas 2 euros, provar uma vasta gama de vinhos do Tejo num único espaço, podendo assistir, ao mesmo tempo, a provas de vinho comentadas por enólogos da região.

A ideia começou com um trabalho de curso individual, que evoluiu para trabalho de grupo, cujo objetivo era promover os Vinhos do Tejo. O objetivo era reunir um mínimo de 8 produtores, mas o sucesso foi tanto que responderam à iniciativa 21 produtores da região.

XTerra Golegã - Fotos Carlos Simões