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Categoria: Cultura

 mouriscas igreja

A Associação de Melhoramentos de Mouriscas (AMM) e a Junta de Freguesia de Mouriscas (JFM) voltam a dar as mãos para realizar, de 10 a 18 de Agosto com uma pausa no dia 16, a 26ª Edição da Feira Mostra de Artesanato e Gastronomia.

Este ano a Feira Mostra salta da Escola Primária e ruma uns metros mais abaixo, ao parque desportivo da Aldeias. Ali, a organização tem feito alguns trabalhos de melhoramentos do espaço que permitem criar condições para que a feira possa ganhar outra dimensão. No campo de futebol vai estar o palco e mais de duas dezenas de expositores para o artesanato e associações e os bares. No antigo ringue, próximo dia balneários, vai funcionar o serviço de jantares com a aposta na gastronomia típica da aldeia, não deixando de lado o sempre apetecível frango no churrasco e outros grelhados. Todo o espaço de entrada no recinto e estacionamento teve melhoramentos criando melhores condições para os visitantes.

A Feira Mostra ocorre, como normalmente, entre 10 e 14 de Agosto culminando na festa religiosa do 15 de Agosto, e mantém a tradição do Festival de Folclore, do Grupo Etnográfico “Os Esparteiros”, este ano no dia 18.

Assim no dia 10, sexta-feira, após a inauguração o jantar será peixe do rio frito com migas ou arroz de feijão, animação com os Fanfarrua Brass Folks e baile com os Semáforo.

No dia 11 pode jantar carne do alguidar, assistir à apresentação do plantel de futebol da Casa do Povo de Mouriscas, e dançar ao som dos PK7.

Domingo, dia 12, para o jantar as típicas migas de Mouriscas com bacalhau assado e na segunda, dia 13, pode jantar as pataniscas com arroz de feijão e dançar ao som de Carlos Catarino.

No dia 14, véspera de feriado o jantar será porco no espeto, terá actuação da Funfarra SFUM e o baile com os Remédiu Santu.

No dia 15 os Mouriscos têm às 8 da manhã o seu passeio chapa amarela e depois de almoço haverá mais uma romaria a Nossa Senhora dos Matos com missa na capela setecentista.

A 17, sexta-feira, volta o baile com David Alves e no sábado, dia 18, o Festival Nacional de Folclore com a actuação de cinco grupos: Grupo Etnográfico “Os Esparteiros” de Mouriscas Grupo Cultural “Os Medroenses” – Santa Marta de Penaguião Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo Rancho das Lavadeiras de Trofa Grupo Tradicional “Os Casaleiros” de Casais de Brito – Azambuja.

Depois da actuação dos ranchos continua o baile com Pedro Melão. Nestes dois dias mantém-se o restaurante com grelhados.

Anos 90 - O início

Um museu e uma Semana Cultural Temos de recuar à década de 90 quando a Junta de Freguesia de Mouriscas e a comissão instaladora do Museu Etnográfico e Arqueológico de Mouriscas dava corpo à realização de uma semana cultural de Mouriscas. Era o arranque da Feira de Artesanato. O local era a antiga escola primária e os seus pátios exteriores.

A antiga escola, na altura como Museu de Mouriscas, tinha no interior as salas de etnografia. Com todas as recolhas dos usos e costumes da aldeia, as peças de vestuário e utensílios da casa típica de Mouriscas, nomeadamente a cozinha e o quarto, eram um dos atractivos. Nos alpendres ficavam expostos outro tipo de objectos recolhidos na população mais idosa.

Tudo o que dizia respeito à agricultura, olivicultura, pesca, pirotecnia, cerâmica ou outras actividades económicas. Nas salas do primeiro piso da antiga escola primária estavam, catalogados, os artefactos arqueológicos recolhidos pela freguesia, nos campos de férias de anos anteriores, ou na posse de alguns habitantes.

Entre os pedaços de cerâmica, uma ou outra coluna da época dos romanos, algumas moedas, pontas de seta em sílex do período pré-histórico e alguma arte sacra constituíam o espólio deste sector. Ainda na antiga escola primária uma ou duas salas, à entrada, tinham exposições temporárias de pintura ou gravura, consoante a temática escolhida. Ou podiam ainda mostrar trabalhos das crianças da escola primária da aldeia.

No pátio exterior, o campo de jogos, com uma inclinação considerável e numa mistura de terra e pedra ficavam os pavilhões de exposição de artesanato variado, como forma de divulgação da arte popular da aldeia e dos arredores.

Ao nível da animação musical registava-se um programa cultural de leque variado para uma semana cultural.

Mais tarde a Feira Mostra teve uma passagem pelo campo de futebol das Aldeias antes de se fixar no pátio escola Primária de Mouriscas onde, pela sua centralidade, acabou por ganhar raízes.

Esta semana cultural ou Feira de Artesanato, realizada por alturas do 15 de Agosto, dia da romaria de Nossa Senhora dos Matos, festividade religiosa com muita tradição na aldeia, substituiu as festas que durante anos, décadas, se realizaram no largo do Espírito Santo nos últimos dois fins-de-semana de Agosto e que, modo geral, culminavam com a realização da feira franca anual, no centro da freguesia, no ultimo domingo de Agosto.

Já sem as festas de Verão do largo do Espírito Santo, que na década de 60/70 chegaram a ser mais maiores do concelho e da região centro, a feira anual continua a realizar-se, em modos mais pequenos, face a todas as alterações que vivemos nas últimas décadas.

As pessoas já não vão à feira comprar móveis, artigos para os animais ou até os enxovais das filhas como era a tradição. Mesmo assim, a Feira Mostra ao longo de 25 anos tem mantido a presença do artesanato, juntando as associações e algumas empresas da freguesia e complementando com a gastronomia típica de Mouriscas e os grupos de baile criam uma semana de diversão para quem visita a festa.

Mouriscas uma aldeia rural com muito para descobrir

Mouriscas é uma freguesia rural, de povoamento muito disperso. A sua geografia cria um amontoado de pequenas povoações, os casais, que no todo dão corpo à freguesia.

A visitar em Mouriscas terá o património religioso, como a capela de Nossa Senhora dos Matos, setecentista, o nicho de Nosso Senhor dos Aflitos, a capela do Espírito Santo ou a de S. Simão. Tem ainda a Ribeira da Arcês e a do Rio Frio, na qual a ACROM está a desenvolver um projecto para a criação das respectivas rotas. Junta-se o rio Tejo e o canal de Alfanzira, do tempo de regência dos Felipes de Espanha. Acrescenta-se a oliveira milenar nos Cascalhos, datada com 3350 anos e que pode ser visitada no seu espaço mais acolhedor.

Ainda na história, há registos de vestígios na Fonte do Sapo e nas Aldeias datados dos séculos I a IV d. c. e que podem ter feito parte de uma vila romana. Tem ainda a EPDRA, Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, na Herdade da Murteira, as Colinas do Tejo, um projecto turístico próximo da estação da CP, ou os restaurantes com a gastronomia típica da terra.

Os figos e o azeite são duas riquezas da freguesia, a que se podem juntar outras produções endógenas locais, mas sem grande expressão no tecido económico. Pode ainda apreciar-se, ao longe, a barragem do Negrelinho, uma barragem artificial contruída na década de 70 e que serve de reservatório de água para o abastecimento público de toda a freguesia.

Mais recentemente a Fonte dos Amores, situada na estrada nacional 3, entre Mouriscas e o Penhascoso, próximo do entroncamento de acesso à capela de Nossa Senhora dos Matos, tem na água de grande qualidade uma procura muito grande em toda a região à volta de Mouriscas.

Em Mouriscas existem duas colectividades, Grupo Desportivo e Recreativo e Grupo Etnográfico, que têm o nome de “Os Esparteiros”, vindas da tradição dos homens que trabalhavam o esparto para fabricar as ceiras para as prensas dos lagares de azeite.

A espartaria deixou de ser utilizada passando para os fios de cairo e Mouriscas tem ainda uma empresa que produz capachos para os lagares de azeite. Utilizando esta matéria-prima faz tapetes e carpetes como peças de artesanato, isto depois da introdução dos lagares modernos de linha que dispensam as prensas tradicionais.

Existe a Casa do Povo de Mouriscas que tem no futebol a sua actividade principal. Existe a Banda Filármónica Mourisquense com a banda e escola de música. Existe o Clube de Caça e Pesca que mantém a sua reserva de caça e actividades inerentes. Existe o motoclube os Mouriscos que fazem o seu passeio chapa amarela e já organizaram concentrações convívio. Existe a ADIMO, Associação de Desenvolvimento Integrado que tem lançado, com regularidade, cadernos culturais sobre a freguesia. Existe a ACATIM, Associação Comunitária de Apoio à Terceira Idade de Mouriscas, com o lar de idosos e o apoio domiciliário. Os escuteiros mantêm em actividade o seu agrupamento 193 com as actividades inerentes aos lobitos, exploradores, caminheiros e pioneiros. Existe a Associação de Melhoramentos de Mouriscas que tem organizado as festas em estreita colaboração com a Junta de Freguesia. Existem ainda duas cooperativas de Olivicultores, Mouritejo e Coagriolimo, que têm os seus lagares de azeite.

E, mais recentemente, a ACROM – Associação Cultural das Rotas de Mouriscas que tem em curso o projecto de criação da Rota das Ribeiras da Arcês, Rio Frio e rio Tejo, resultado de um projecto vencedor do Orçamento Participativo nacional em 2017 e com outro projecto em votação no deste ano, ligado às fontes e nascentes.

Gastronomia típica: das migas às passas fritas

As migas de couve constituem um dos pratos típicos da aldeia. A sopa de couve com feijão e depois a broa de milho fazem um acompanhamento de eleição para carne ou peixe. A carne do alguidar, ou a carne aos pedaços com os temperos dos chouriços é outro dos pitéus.

Há ainda o peixe do rio que sempre fez parte das ementas familiares das gentes da terra. O bolo amassado, ou o bolo dos casamentos, é uma das sobremesas de eleição assim como as tigeladas.

As passas fritas são, talvez, a maior especialidade no que à doçaria diz respeito. Os figos secos albardados com uma massa e depois fritos fazem esta iguaria. Para quem gosta há ainda a aguardente de figo, que não é comercializada, mas que tinha muitos admiradores noutros tempos.

Para quem gosta, há ainda a aguardente de figo que não é comercializada, mas que tinha muitos admiradores noutros tempos. Na época que que o figo negro existia em grandes quantidades, muitos mourisquenses tinham um alambique e produziam esta bebida alcoólica.

Jerónimo Belo Jorge

Comentários   

 
0 #1 Carlos Bento 07-08-2018 17:43
Excelente texto informativo
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Partida em Coruche do Grande Prémio de Ciclismo Abimota - Fotos: João Dinis